Monday, 12 February 2007

Filosófico ou Psicológico?

Ainda bem que eu [não estou] ∨ [estou] deprimido. Ou pelo menos é esta a conclusão a que chego, após um auto exame na competência da psicologia, filosofia e neurofisiologia. A depressão, inclui nos seus terríveis sintomas, a perda de apetite e a anhedonia (perda de prazer pelas actividades que costumam ser prazerosas). É a leveza do ser, que se torna em puro...desespero? Talvez seja isso que eu esteja a entender enquanto depressão (o neurofisiologista em mim diria que é depressão porque ele vê isso na MRI. Mas se eu o ouvisse sempre...) seja um mal filosófico, não psicológico (o psicólogo em mim diz que um mal filosófico se repercute invariavelmente numa atitude comportamental). Existencial, em vez de emocional, na sua base. Mental, mais que comportamental.

Dor. Mas que tipo de dor, questiona o leitor. Eu diria que essa se localiza na cabeça. O leitor perguntaria se se assemelha à cefaleia tradicional, quiça enxaqueca. E eu ripostaria que não, mas que a dor se expressa de forma análoga. Tanto que gostaria que parasse, mesmo que isso significasse o fim da minha existência. Mas não, não existe aqui uma mensagem suicida!

'Pensas demais', é a observação que muitos dos meus mais chegados amigos, que não se envolvem profundamente nestas coisas da filosofia, fazem. É essa coisa da 'vida examinada'. Certamente que certas questões, da índole 'deverei grelhar um bife ou preparar uma salada para o meu jantar?' são questões assaz filosóficas. Não na medida em que as minhas papilas gustativas e nervos cranianos, que levam as mensagens sensoriais das últimas até ao centro somático correspondente. Mas certamente a questão 'deverei comer carne, sabendo que um animal foi criado para este propósito?', e um animista vegetal, nas suas divagações filosóficas, recusar-se-ia a comer vegetais, igualmente.


'Que raio', diria o neurofisiólogo em mim. 'Ide comer chocolate!'. E ele está correcto na sua sugestão, o chocolate é benéfico na medida em que estimula a produção de serotonina, e aumenta o sentimento de felicidade geral. O psicólogo em mim diz-me que eu deveria encontrar factores de motivação. O filósofo diz que essa motivação se encontra, apesar dos altos e baixos, no palmilhar do "caminho sem destino" da filosofia. Existirá uma hierarquia? Certamente que a filosofia e a psicologia correm lado a lado, na medida em que a psicologia, ainda que imbuída "apressadamente" de um método científico, é, no seu cerne, sólida filosofia. À neurofisiologia falta-lhe este núcleo filosófico consistente, mas também o neurofisiólogo pode ser um filósofo quando coloca alguma questão ainda mais basilar, no que concerne, por exemplo, à consciência.

A Sophia, aqui por detrás do meu ombro, coloca-me a questão, ao bom estilo socrático: 'O que é o prazer?' Não responderei, por ora, e irei antes deslocar-me ao supermercado no sentido de adquirir um delicioso chocolate. Penso que aí, estarei (mais) em posição de discorrer sobre a natureza do prazer, e se esta é intrinsecamente boa, ou não.

PS. Estou a "dever" à Maguida dois pequenos ensaios. Um sobre teleologia moral, e outro sobre a Teoria das Formas de Platão.

2 Replied to what was:

Kami said...

Definitivamente psicológico, isso não é um bocado sobreanalizar e complicar as coisas mais do que são?(não que possamos ter a certeza absoluta do que são)
De qualquer das formas comer carne não deixa de ser bastante filosófico, pelo menos o ser humano tem formas e venta outras mais de preparar carne das mais variadas formas algo que nos separa do resto dos seres vivos conhecidos, além disso o animal viveu uma vida de comida em abundância foi mais feliz que os animais que andam praí na natureza. Pode parecer um bocado bárbaro ou selvagem ou as duas coisas, e até pode ser, mas pelo menos a criatura que vivia só para foder passou a ter um outro objectivo.(E já estou um bocado perdido nisto, é melhor não me enterrar mais)

Flávio said...

Tu és Deus. Tu comes tudo.